
Por Pr. Robérico Silva de Oliveira
Teólogo, Gestor em Teologia, Psicanalista Clínico/Psicoterapeuta e Pós-graduado em Psicologia Clínica
Quem eram os levitas?
Quando ouvimos a palavra “levita”, muitas vezes pensamos imediatamente em música, louvor e instrumentos musicais. Entretanto, a história bíblica revela que os levitas desempenhavam funções muito mais amplas.
Os levitas eram descendentes de Levi, filho de Jacó e Lia, e pertenciam a uma das doze tribos de Israel. Entre os personagens conhecidos dessa linhagem estão Moisés, Arão e Miriã. Arão foi escolhido para exercer o sacerdócio, enquanto Miriã é apresentada como profetisa (Êxodo 28:1).
Ao longo da história de Israel, os levitas foram associados ao serviço do tabernáculo e, posteriormente, do templo. Sua atuação envolvia diferentes responsabilidades e demonstrava que o funcionamento de uma comunidade dependia da participação de pessoas com funções distintas.
Muito mais do que música
Entre as funções atribuídas aos levitas estavam porteiros, guardas, administradores, músicos, líderes de louvor e professores das leis de Deus.
Essa informação é importante porque, atualmente, algumas comunidades cristãs utilizam a palavra “levita” principalmente para designar integrantes de grupos de louvor.
Embora a música fizesse parte das atividades dos levitas, ela não representava a totalidade de seu trabalho. O próprio material bíblico estudado demonstra uma estrutura muito mais abrangente.
Portanto, ser levita significava assumir uma responsabilidade de serviço, e não simplesmente cantar ou tocar um instrumento.
Uma lição teológica: servir é uma vocação
Na perspectiva teológica, a história dos levitas nos conduz ao conceito de vocação.
Durante a caminhada pelo deserto, Israel passou por momentos de rebeldia e idolatria. Segundo o relato estudado, a tribo de Levi permaneceu fiel e posteriormente foi escolhida para o serviço relacionado ao santuário (Números 8:9-11).
O serviço, nesse contexto, não era simplesmente uma ocupação. Representava compromisso, responsabilidade e consagração.
Isso nos leva a uma pergunta atual:
Aquilo que fazemos todos os dias possui algum propósito além de nós mesmos?
A vida pode ser compreendida não apenas pelo que recebemos, mas também pelo que oferecemos.
Uma lição sociológica: ninguém vive sozinho
Os levitas também nos ajudam a compreender uma importante realidade social: somos interdependentes.
Eles não receberam uma porção de terra como as demais tribos. O texto estudado registra que Deus era considerado sua herança e que o restante do povo contribuía para o sustento dos levitas por meio dos dízimos. Eles também receberam cidades espalhadas pelo território de Israel.
Existia, portanto, uma relação de responsabilidade entre quem servia e quem sustentava aquele serviço.
A sociedade contemporânea funciona de maneira semelhante em muitos aspectos. Família, escola, empresa, igreja e comunidade dependem de pessoas que desempenham diferentes funções.
O professor ensina. O médico cuida. O administrador organiza. O trabalhador produz. O líder coordena. O voluntário ajuda.
Nenhuma função responsável deveria ser considerada inútil simplesmente porque não possui visibilidade.
Uma lição filosófica: qual é o sentido daquilo que fazemos
A Filosofia nos convida a ir além da pergunta “o que faço?” e perguntar:
“Por que faço?”
Essa questão muda completamente nossa maneira de enxergar o trabalho, a vocação e o serviço.
Podemos possuir talento, conhecimento e capacidade, mas o verdadeiro significado dessas habilidades aparece quando compreendemos como utilizá-las.
A história dos levitas pode ser transformada em uma reflexão sobre três perguntas fundamentais:
Quem sou?
Para que existo?
O que faço com aquilo que recebi?
Essas perguntas não possuem respostas simples, mas são fundamentais para quem deseja construir uma vida consciente e responsável.
Uma lição psicológica: identidade não é apenas função
Existe ainda uma dimensão psicológica importante.
O ser humano constrói sua identidade por meio de experiências, relações, valores, escolhas e pertencimento.
Pertencer a uma família, comunidade religiosa, profissão ou grupo social pode oferecer referências importantes para a construção da identidade. Entretanto, ninguém deve ser reduzido à função que exerce.
Uma pessoa não é apenas o seu trabalho.
Não é apenas o seu cargo.
Não é apenas sua posição social.
Não é apenas aquilo que os outros esperam dela.
A função pode expressar parte da identidade, mas não define toda a pessoa.
Nesse sentido, a história dos levitas pode estimular uma reflexão muito atual:
Estou exercendo uma função porque encontrei significado nela ou apenas porque preciso corresponder às expectativas dos outros?
O legado dos levitas
A história dos levitas também nos faz pensar sobre legado.
Legado não é apenas aquilo que deixamos depois da morte. Pode ser também aquilo que construímos diariamente na vida de outras pessoas.
Um professor deixa conhecimento.
Um pai ou uma mãe deixa valores.
Um líder deixa ensinamentos.
Um profissional deixa resultados.







- há 1 dia

RIBAMAR VIEGAS - ESCRITOR LUDOVICENSE
Assim que a pessoa morre, até sua identidade resume-se a um “corpo”. “Traga o corpo”. “Coloque o corpo no caixão. “O corpo ainda não foi liberado”... ninguém mais menciona o nome que a pessoa passou a vida toda tentando valorizar.
Portanto, não terceira idade, não seja uma pessoa morta dentro de si. Arrisque-se. Gaste o seu dinheiro com o que o faz feliz, ninguém leva dinheiro quando se transforma em “o corpo”. Ria muito. Dance, mesmo sem saber dançar. Namore, mesmo que seja em casa. Viaje. Comemore. Seja objetivo. Compareça aos convites. Evite os baixos-astrais, esses são deprimentes. Preocupe-se apenas em viver feliz, com saúde e paz. Não ligue para a conotação – velha (o) assanhada (o), esses são invejosos, maldosos. O importante é a sua vontade de viver a vida. Ser feliz. Nunca esqueça, o pior é quando a vida morre dentro de você enquanto você ainda está vivo. Assim sendo, curta muito esse evento chamado vida. Somente dessa forma prologará a substituição do seu nome por “o corpo”. E, quando isso acontecer, que seja “o corpo” valorizado pela alegria da vida que você viveu.
(Escrevi esta mensagem para tentar animar minha irmã, viúva, terceira idade, no Rio de Janeiro – Deu certo)








Por CARLOS AROUCK
FORMADO EM DIREITO E ADMINISTRAÇÃO DE EMPRESAS
O brasileiro precisa fazer perguntas diretas e baseadas em evidências sobre os resultados de longos períodos de governo de certos partidos. Uma delas, recorrente no debate público, questiona se o PT e o PSB são eficazes na redução da fome, da sede, da criminalidade, da miséria e na promoção de uma educação de qualidade, como repetem em sua propaganda.
A pergunta seria essa: “Por que estados como Pernambuco, Bahia, Ceará e Rio Grande do Norte, onde esses partidos (ou aliados próximos) governaram por muitos anos, continuam figurando entre os mais pobres, com maiores índices de insegurança alimentar, menor acesso relativo a saneamento, altas taxas de violência, economia real estagnada em produtividade e, sobretudo, uma educação que entrega acesso sem aprendizado real?”
Esta não é uma pergunta ideológica por si só. É uma pergunta sobre resultados mensuráveis. Vamos examinar os fatos com dados oficiais do IBGE (Síntese de Indicadores Sociais 2024/2025 e PNAD Contínua Educação 2025), do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP)/IPEA (Atlas da Violência 2026 e Anuário 2025/2026), do INEP (IDEB 2023), SINISA/SNIS e de outros órgãos, sem propaganda de nenhum lado.
Os números de 2024 e 2025 mostram avanços pontuais impulsionados por transferências federais e programas de permanência escolar, mas a persistência de déficits estruturais gritantes, especialmente na qualidade educacional, é inegável.
SEGUE O HISTÓRICO DE GOVERNOS NOS ESTADOS CITADOS
BAHIA: Governos do PT desde 2007 (Jaques Wagner, Rui Costa e Jerônimo Rodrigues). Quase duas décadas contínuas.
PERNAMBUCO: Domínio do PSB de 2007 a 2022 (Eduardo Campos e Paulo Câmara). Antes, os períodos de Miguel Arraes. Atualmente, é governadora de centro-direita (Raquel Lyra).
CEARÁ: A partir de 2007, PSB (Cid Gomes) e depois PT (Camilo Santana e Elmano de Freitas). Praticamente duas décadas de PSB/PT.
RIO GRANDE DO NORTE:i Períodos alternados, com presença do PT em mandatos recentes (Fátima Bezerra eleita em 2018 e reeleita em, 2022).
O NORDESTE como um todo teve forte presença de partidos de esquerda e centro-esquerda nas últimas duas décadas. O argumento da “propaganda vermelha” é que políticas sociais redistributivas e a expansão do acesso à escola resolveriam os problemas estruturais. Os dados mostram apenas avanços relativos e a brutal persistência de graves déficits e a dependência crônica de Brasília.
OS DADOS:
Pobreza, Fome, Água, Economia Real, Violência e, sobretudo, Educação
Pobreza e extrema pobreza (IBGE, Síntese de Indicadores Sociais 2024):
O Nordeste concentra desproporcionalmente a pobreza nacional. Em 2024, a taxa de pobreza na região era de 39,4% (contra 23,1% nacional). A extrema pobreza ficou em 6,5% (quase o dobro da média nacional de 3,5%). O Nordeste responde por cerca de 45,8% dos pobres e 50,3% dos extremamente pobres do país. Houve redução importante e acelerada recentemente, mas os níveis absolutos e relativos continuam elevadíssimos. A redução depende fortemente de transferências de renda: em muitos lares extremos pobres do Nordeste, 75% a 78% da renda vem de programas sociais.
INSEGURANÇA ALIMENTAR (IBGE/PNAD 2024):
O Nordeste registrou cerca de 34,8% dos domicílios com insegurança alimentar. Estados como Bahia (~37,8%) e Pernambuco (~35,3%) estão entre os mais afetados. Em números absolutos, o Nordeste concentra o maior contingente de pessoas em fome.
ÁGUA E SANEAMENTO (IBGE PNAD 2023 e SINISA):
O acesso à rede geral de água no Nordeste é cerca de 81,1% (média nacional 85,9%). Apenas cerca de 50,8% dos domicílios nordestinos têm rede de esgoto ou fossa séptica ligada à rede (contra quase 90% no Sudeste).
ECONOMIA REAL E EMPOBRECIMENTO ESTRUTURAL:
O PIB per capita dos estados nordestinos permanece entre os mais baixos do Brasil. A renda domiciliar per capita em 2025 mostra todos os estados do Nordeste na lanterna: nenhum chega a dois terços da média nacional de R$2.316. Maranhão fecha com R$1.219; Ceará em torno de R$1.390; Bahia cerca de R$1.465. O rendimento médio do trabalhador é dos mais baixos. Desemprego caiu, mas a informalidade permanece alta e a geração de emprego formal de qualidade é insuficiente. O modelo priorizou transferência de renda sobre criação de riqueza produtiva.
CRIMINALIDADE E VIOLÊNCIA (Atlas da Violência 2026 / dados 2024 e Anuário FBSP 2025/2026):
Em 2024, a Bahia registrou cerca de 40,9 homicídios por 100 mil habitantes; Pernambuco ~37,3; Ceará ~34,3. O Brasil reduziu para ~20,1 por 100 mil, mas os estados citados permanecem entre os mais violentos. 17 dos 20 municípios mais violentos com mais de 100 mil habitantes estão no Nordeste. No ranking de 2025 das cidades mais violentas (mortes violentas intencionais), as dez primeiras estão todas no Nordeste: 1º Maranguape (CE), 2º Eunápolis (BA), 3º Maracanaú (CE), 4º Porto Seguro (BA), 5º Simões Filho (BA), 6º Jequié (BA), 7º Caucaia (CE), 8º Cabo de Santo Agostinho (PE), 9º Santa Rita (PB), 10º Juazeiro (BA). A maioria em estados sob longa gestão PT ou PSB.
EDUCAÇÂO:
Esse é o fracasso mais estrutural e de longo prazo. Aqui a crítica precisa ser especialmente contundente. A matrícula aumentou. O analfabetismo caiu. Mas o que realmente importa, o aprendizado, a formação de capital humano e a competitividade dos jovens, continua ruim e produz gerações incapazes de romper o ciclo de pobreza.
Segundo o IDEB 2023 (INEP), o Nordeste ficou com média de cerca de 4,1 no Ensino Médio (abaixo da média nacional de 4,3). Destaques negativos: Rio Grande do Norte 3,7; Bahia 3,9; Maranhão 3,8. Pernambuco (4,5) e Piauí (4,5) foram das poucas redes estaduais a bater a meta, e o Ceará se destaca nos anos iniciais e finais do Fundamental (6,6 e 5,5, entre os melhores do país). Mas o quadro geral é de estagnação relativa: muitos estados nordestinos ficam na lanterna nacional. O jovem nordestino sai da escola sem o mínimo necessário para competir no mercado de trabalho formal de qualidade.
ANALFABETISMO (PNAD Contínua Educação 2025):
O Brasil atingiu 4,9% (menor da série histórica), mas o Nordeste concentra mais da metade dos analfabetos do país, 4,8 milhões de pessoas, taxa de 10,6% (mais que o dobro da média nacional). Em 2024 a taxa regional era de 11,1%. Estados como Alagoas e Piauí historicamente lideram os piores índices. A queda ocorre, mas o atraso histórico se arrasta sob longos governos de PT/PSB.
Abandono e evasão escolar caíram recentemente (graças a programas como Pé-de-Meia e ações estaduais), com o Nordeste registrando redução de 3,7% (2023) para 2,1% (2025) no Ensino Médio. Porém, a distorção idade-série e o aprendizado adequado (SAEB) seguem problemáticos. Muitos municípios nordestinos melhoraram notas no Fundamental, mas o Ensino Médio, etapa decisiva para o futuro profissional, permanece deficiente.
Resumindo, os governos com forte marca PT/PSB investiram em volume (expansão de matrículas e infraestrutura), mas falharam sistematicamente na qualidade, na meritocracia, na formação e valorização real de professores, no combate à distorção e na garantia de aprendizado efetivo. O resultado é um capital humano frágil, de jovens que chegam ao mercado de trabalho despreparados, perpetuando a baixa produtividade, a informalidade e a dependência de transferências. A educação de qualidade é o principal motor de desenvolvimento de longo prazo. Sem ela, as políticas assistenciais viram paliativo permanente.
Os defensores argumentam que a pobreza e o analfabetismo caíram, o acesso à escola aumentou e, sem esses governos, seria pior. Os críticos respondem que a redução de pobreza foi majoritariamente via transferência de renda; a educação entregou quantidade sem qualidade; a violência e a baixa produtividade da economia real não acompanharam o discurso de “transformação”; e a longa hegemonia gerou acomodação e clientelismo.
Perguntar não é ódio, é responsabilidade cívica. A indagação inicial deve cobrar coerência entre discurso e realidade. Os estados mencionados tiveram longos períodos sob influência direta ou indireta do PT e PSB e continuam apresentando alguns dos piores indicadores sociais, de segurança, de economia real e de qualidade educacional do Brasil.
O Nordeste tem um potencial enorme. Superar o atraso exige foco em educação de excelência (aprendizado real, meritocracia e formação de capital humano), segurança efetiva, atração de investimentos produtivos e combate à corrupção, independentemente de quem governa. O brasileiro que se pergunta “por quê?” está exercendo o direito mais básico da democracia: exigir contas com números, não com slogans. Os dados de 2024 e 2025 estão aí, públicos e acessíveis. Cabe a cada um analisá-los sem viés e cobrar melhorias concretas de quem está no poder, hoje ou amanhã.


























