- há 3 minutos

Por SIMONE SALLES
JORNALISTA, MESTRE EM COMUNICAÇÃO PÚBLICA E POLÍTICA
CORONEL MÉDICA COM QUASE 30 ANOS DE CARREIRA É ESCOLHIDA PELO ALTO-COMANDO; PROMOÇÃO DEPENDE DE DECRETO PRESIDENCIAL E CONSOLIDA MUDANÇAS INICIADAS HÁ MAIS DE TRÊS DECADAS NA FORÇA
A trajetória das mulheres nas Forças Armadas brasileiras acaba de alcançar um novo patamar.
O Exército Brasileiro indicou, de forma inédita, uma oficial para ascender ao posto de general. A escolhida foi a coronel médica Cláudia Lima Gusmão Cacho, selecionada em reunião do Alto-Comando realizada em 24 de fevereiro, por meio de votação secreta.
A promoção ainda precisa ser formalizada por decreto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, conforme prevê a Constituição Federal e o Estatuto dos Militares (Lei nº 6.880/1980), que estabelece que a ascensão ao generalato depende de ato do chefe do Executivo. Tradicionalmente, as indicações feitas pelo Alto-Comando são ratificadas pela Presidência da República.
No Exército, o posto de general integra o topo da hierarquia militar. Os oficiais-generais exercem funções estratégicas de comando, direção e assessoramento em grandes unidades, regiões militares e órgãos centrais da Força. É também desse grupo que saem integrantes do próprio Alto-Comando, responsável por decisões administrativas e estratégicas de maior relevância institucional.
A confirmação da coronel Cláudia Gusmão significará a primeira presença feminina nesse círculo no âmbito do Exército, um marco simbólico e estrutural dentro da carreira militar terrestre.
Natural de Recife (PE), a oficial ingressou na Força em janeiro de 1996, após aprovação em concurso para o Serviço de Saúde. Médica pediatra, construiu a carreira no sistema hospitalar militar, que integra a Diretoria de Saúde do Exército, responsável pela assistência aos militares da ativa, da reserva e seus dependentes.
Entre as funções exercidas estão a direção do Hospital de Guarnição de Natal e do Hospital Militar de Área de Campo Grande, além de cargos de chefia ligados à inspeção e perícia médica em comandos regionais. O Sistema de Saúde do Exército é um dos maiores do país dentro da administração pública federal na área militar, com hospitais distribuídos em diversas regiões estratégicas.
MULHERES NAS FORÇAS
A presença feminina no Exército começou oficialmente em 1992, com a incorporação de mulheres aos quadros complementares de oficiais e às áreas técnicas e administrativas. Ao longo das décadas seguintes, novas portas foram abertas.
Em 2017, o Exército matriculou as primeiras mulheres na Escola Preparatória de Cadetes do Exército (EsPCEx), em Campinas (SP). A medida abriu caminho para que elas ingressassem na Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN), em Resende (RJ), responsável pela formação dos oficiais combatentes de carreira.
Segundo dados do Ministério da Defesa divulgados nos últimos anos, as mulheres representam cerca de 10% do efetivo total das Forças Armadas brasileiras, percentual que vem crescendo de forma gradual, especialmente em áreas técnicas, de saúde, logística e ensino.
Decreto publicado em 2024 regulamentou o alistamento militar feminino voluntário, permitindo que mulheres que completaram 18 anos em 2025 pudessem se apresentar para seleção, com incorporação prevista a partir de 2026. A medida ampliou a participação feminina na base da estrutura militar, reforçando um movimento de transformação institucional.
Com a indicação formalizada pelo Alto-Comando, o nome da coronel segue para apreciação do presidente da República, juntamente com os demais oficiais escolhidos para promoção. Após a assinatura do decreto, a oficial passará a integrar o quadro de generais da ativa.
Caso confirmada, a promoção consolida um momento histórico para o Exército Brasileiro, conectando três décadas de avanços graduais a um novo capítulo na hierarquia da Força. Só que agora com presença feminina também no mais alto escalão.







Por CARLOS AROUCK
FORMADO EM DIREITO E ADMINISTRAÇÃO DE EMPRESAS
O conteúdo a seguir reúne informações publicadas por veículos como O Globo, G1, CNN Brasil, Estadão, Folha de S.Paulo, BBC, Gazeta do Povo e Veja, além de decisões do Supremo Tribunal Federal e informações da Polícia Federal do Brasil, publicadas ao longo de março de 2026.
As mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular do empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, tornaram-se peça central nas investigações sobre um esquema de fraudes envolvendo empréstimos consignados vinculados ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Segundo estimativas citadas nas investigações, o impacto potencial no Fundo Garantidor de Créditos (FGC) pode chegar a R$ 47,3 bilhões, somando operações atribuídas ao Banco Master e ao Will Bank, o que configuraria o maior risco financeiro já registrado no sistema de garantia bancária brasileiro.
A perícia da Polícia Federal utilizou técnicas de análise forense digital para recuperar conversas armazenadas no aparelho de Vorcaro, incluindo mensagens enviadas com o recurso de “visualização única” no aplicativo WhatsApp. Parte do material teria sido preservada por meio de capturas de tela armazenadas no bloco de notas do próprio aparelho.
Os diálogos revelam momentos de tensão no dia da primeira prisão do empresário, ocorrida em 17 de novembro de 2025 no Aeroporto Internacional de Aeroporto Internacional de São Paulo/Guarulhos. Também aparecem conversas sobre tentativas de venda do Banco Master ao grupo Fictor, apresentado em negociações como ligado a investidores árabes, além de contatos com políticos e autoridades.
Trechos das mensagens passaram a circular na imprensa, o que levou à abertura de um inquérito no Supremo Tribunal Federal sob relatoria do ministro André Mendonça para apurar o vazamento do material.
Entre os diálogos analisados pela perícia, há conversas registradas em 17 de novembro de 2025 com um contato salvo no celular de Vorcaro como “Alexandre Moraes”. Nas mensagens, o empresário pede informações sobre possíveis vazamentos de reportagens e sobre o andamento de investigações.
Em um dos trechos registrados às 7h19, Vorcaro escreve:
“Bom dia. Tudo bem? Estou tentando antecipar os investidores… De um lado, acho que o tema de que falamos começou a dar uma vazada […] Mas a turma do BRB me disse que tá tendo um movimento de sacanagem do caso. E que a mesma jornalista de antes estava fazendo perguntas lá.”
Mais tarde, às 17h22, ele afirma:
“Fiz uma correria aqui pra tentar salvar. Fiz o que deu, vou anunciar parte da transação.”
Minutos depois, às 17h26, envia nova mensagem:
“Alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear?”
Às 20h48, escreve:
“Foi. Seria melhor na sexta junto com os gringos, mas foi o que deu […] Tô indo assinar… e estou online.”
Segundo os registros periciais citados nas reportagens, a resposta foi apenas um emoji de confirmação.
Outras mensagens mencionadas nas reportagens indicam encontros presenciais. Em abril de 2025, Vorcaro escreve: “Tô indo encontrar Alexandre Moraes aqui perto de casa”. Em março do mesmo ano, registra: “Chegou Hugo e Ciro aqui pra falarem com Alexandre”, em referência aos políticos Hugo Motta e Ciro Nogueira.
O ministro Alexandre de Moraes declarou publicamente que não manteve qualquer troca de mensagens com o empresário. Em manifestação enviada à imprensa, afirmou que não recebeu as mensagens citadas e classificou como falsa a associação feita com seu nome.
A Polícia Federal confirmou a extração das conversas e seus horários, mas afirmou que não há comprovação técnica definitiva de que o destinatário das mensagens fosse o ministro. Reportagens de O Globo e do Estadão disseram ter verificado o número associado ao contato e o contexto das conversas.
As mensagens também mencionam encontros e relações com figuras políticas.
O senador Ciro Nogueira aparece descrito em conversas como “grande amigo”. Em determinado diálogo, Vorcaro comemora a aprovação de um projeto de lei considerado favorável ao setor financeiro.
Há ainda referência a um jantar na residência oficial da Câmara dos Deputados, em 26 de fevereiro de 2025, organizado pelo então presidente da Casa, Hugo Motta, que teria reunido seis empresários.
Outro trecho menciona uma reunião ocorrida em dezembro de 2024 com o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, na qual também estaria presente o economista Gabriel Galípolo, indicado para presidir o Banco Central do Brasil.
Em conversas privadas, Vorcaro também faz críticas ao ex-presidente Jair Bolsonaro após publicações em redes sociais.
Outro registro citado nas reportagens refere-se a um evento realizado em Londres em abril de 2024, no qual Vorcaro discursou ao lado de autoridades do Judiciário, incluindo os ministros do STF Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e Dias Toffoli.
Parte do material apreendido inclui conversas pessoais com a empresária Martha Graeff. Trechos dessas mensagens foram divulgados pela imprensa, o que levou a defesa do empresário a questionar a divulgação com base na Lei 9.296 de 1996, que regula interceptações e sigilo de comunicações.
As conversas tratam de temas pessoais, viagens e encontros sociais. Há referências a uma suposta “extorsão bem chata” em Brasília em abril de 2024, além de planos de viagens para Lisboa e Saint-Tropez.
Em outros trechos aparecem convites para camarotes no Carnaval de 2025, além da menção a possíveis convidados estrangeiros, como Ivanka Trump e Jared Kushner.
Também aparecem mensagens rotineiras enviadas a diferentes contatos, com cumprimentos e comentários sobre encontros sociais e políticos.
Segundo os investigadores, parte das conversas aponta para um esquema de fraude relacionado a empréstimos consignados vinculados ao INSS.
Entre os elementos citados nas investigações estão o uso de bases de dados obtidas ilegalmente, supostamente originadas de sistemas ligados à Polícia Federal, à Receita Federal e a bancos de dados internacionais. Os investigadores também mencionam pagamentos regulares a servidores públicos descritos nas mensagens como “consultorias informais”.
Outro ponto citado nas reportagens envolve um contrato firmado com o escritório Barci de Moraes, ligado a familiares do ministro Alexandre de Moraes, com valores mensais estimados em R$ 3,6 milhões.
Mensagens trocadas no próprio dia 17 de novembro de 2025 indicam preocupação em concluir a venda do Banco Master antes de uma eventual intervenção regulatória. No dia seguinte, 18 de novembro, foi decretada a liquidação da instituição.
Outro conjunto de mensagens menciona um grupo interno apelidado de “A turma”, que receberia cerca de R$ 1 milhão por mês.
Segundo a Polícia Federal, o grupo seria coordenado por Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido pelo apelido “Sicário”. Ele foi posteriormente preso e morreu durante o desenrolar das investigações.
Os investigadores classificaram o núcleo como uma organização criminosa com atuação semelhante à de estruturas mafiosas, envolvendo monitoramento ilegal de pessoas, tentativas de remoção de conteúdos negativos na internet e intimidação de adversários.
Entre as mensagens atribuídas a Vorcaro está uma conversa sobre o jornalista Lauro Jardim, colunista de O Globo. Em determinado trecho, o empresário escreve que gostaria de vê-lo agredido em um assalto. Mourão responde perguntando se poderia agir, e Vorcaro confirma.
Há também mensagens direcionadas a uma ex-funcionária identificada como Monique e a empregados do banco, nas quais aparecem ordens para “dar um sacode” e “intimidar”.
Outras conversas mencionam o monitoramento do ex-marido de Martha Graeff, com referência ao suposto acesso indevido a contas em redes sociais.
O senador Alessandro Vieira, integrante da comissão parlamentar que investiga o crime organizado, afirmou que o material indica a existência de uma estrutura paralela de pressão e vigilância.
O ministro Alexandre de Moraes negou qualquer contato com Daniel Vorcaro e declarou que não há veracidade nas mensagens atribuídas a ele.
A Polícia Federal afirmou que, até o momento, não há elementos suficientes para investigação direta do ministro. Paralelamente, o ministro André Mendonça determinou a abertura de inquérito no STF para apurar o vazamento das mensagens.
A defesa de Daniel Vorcaro solicitou investigação sobre a divulgação do material, especialmente das conversas de natureza pessoal, e sustenta que partes das mensagens foram retiradas de contexto.
Na terceira fase da Operação Compliance Zero, realizada em 4 de março de 2026, Vorcaro voltou a ser preso juntamente com outros investigados.
As mensagens também passaram a ser analisadas pela comissão parlamentar que investiga fraudes no INSS. Parte dos documentos foi encaminhada a órgãos de controle e levou ao afastamento de servidores ligados ao Banco Central.
O desfecho do caso ainda está em aberto, mas as investigações da Polícia Federal do Brasil já indicam que o episódio ultrapassa os limites de um escândalo bancário. O que começou como suspeita de fraudes em consignados do Instituto Nacional do Seguro Social passou a revelar uma rede de poder, dinheiro e influência que agora precisa ser completamente exposta. Se as suspeitas se confirmarem, o Caso Master poderá entrar para a história como um dos episódios mais graves de captura institucional já revelados no país.






- há 1 dia

RIBAMAR VIEGAS - ESCRITOR LUDOVICENSE
Hoje, 13 de março de 2026, lembrei-me do espertíssimo paraense Doriel.
Doriel, no uso das suas atribuições de escrivão da Delegacia de Proteção à Família, em Belém do Pará, copiava dos registros de ocorrências daquela Jurisdição, nomes endereços e telefones de mulheres acusadas de infiel por maridos infelizes e, através desses trunfos, contatava com as acusadas oferecendo seus preciosos préstimos de escriba (dar uma mãozinha) para depois ir fundo no seu objetivo: − uma transa.
Os encontros amorosos de Doriel com as malditas aconteciam sempre às sextas-feiras. Tanto que Doriel exaltava as suas escapadas com uma conotação bastante categórica:
─ Por mim, já teriam decretado sexta-feira o dia internacional do adultério!
Naquela sexta-feira 13, Doriel nem se tocou para esse lance de superstição. De mochila na mão, despediu-se da mulher com o mesmo pretexto de sempre:
─ Maria, estou indo a uma cidade do interior lavrar umas ocorrências extraordinárias. Devo chegar amanhã.
─ Boa viagem ─ desejava-lhe a doméstica mulher, seguido de um beijo.
Doriel foi para o seu local de trabalho no centro de Belém. Ele estava excitadíssimo. E não era pra menos. Pela primeira vez ele iria fazer um programa sem precisar recorrer a endereços e telefones. Marinaldo – um colega seu de serviço ─ havia lhe convidado para uma parceria. Os dois passariam a noite com duas gatas. Marinaldo com Silvinha e Doriel com a gaúcha Sheila, uma parceira de noitada da acompanhante de Marinaldo. Tudo de bandeja. Mesmo assim, Doriel só topou o programa, porque Marinaldo lhe garantiu que a gaúcha era uma dama na sociedade e uma prostituta na cama. Discretíssima e muito atraente, como a maioria das mulheres sulistas. Ou seja, o prato predileto de qualquer “escrivão”.
Às oito da noite, conforme combinado, Marinaldo passou de carro na Delegacia e apanhou Doriel, banhado, trocado de roupa e perfumado, e seguiram para o encontro com as mulheres num luxuoso bordel nos arredores da cidade. Foram recebidos cordialmente pela dona da casa – uma famosa cafetina guajarina – conhecida por Tia Maroca.
Após beijar a mão da cafetina, Marinaldo perguntou:
− Elas já chegaram?
─ Já, meus queridos, chegaram ─ respondeu a prestimosa Tia Maroca com voz harmoniosa de uma madre superiora ─. E concluiu: − Estão exuberantes como sempre. Esperam por vocês no primeiro reservado à direita do salão.
Marinaldo entrou na frente e foi agraciado com beijo da sua gata. Tomou lugar à mesa e, ainda de pé, fez as devidas apresentações ao ansioso Doriel:
─ Esta é a minha Silvinha... E essa é a gaúcha Sheila, amiga dela, joia a qual eu lhe falei. Como se Doriel, apesar da penumbra do ambiente, do vestido lilás de decote em a ver o umbigo, do sapato de salto altíssimo e da maquiagem à moda Cleópatra, não soubesse que aquela era a submissa Maria, sua legítima esposa.
A pancadaria, o corre-corre foi inevitável. Mas Doriel rodou mesmo a baiana foi no momento do registro da ocorrência na Delegacia de Proteção à Família, o escrivão do plantão – um dos íntimos de Doriel – lhe perguntou:
− Nome, endereço e telefone da acusada?...

























