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Por CARLOS AROUCK

FORMADO EM DIREITO E ADMINISTRAÇÃO DE EMPRESAS


Os casos de Alexandre Ramagem nos Estados Unidos e de Carla Zambelli na Itália mostram até onde a Polícia Federal chega fora do Brasil. Mas o que chama atenção são as rachaduras que esses episódios expõem. Quando canais oficiais se misturam com jeitinhos informais e pressão política, o resultado quase sempre é desgaste diplomático e perda de confiança.


No papel, a estrutura parece sólida. A PF mantém adidos e oficiais de ligação nas embaixadas, tudo amparado pelo decreto de dezembro de 2024. Eles trabalham com acordos bilaterais, MLAT (é um “canal oficial” de cooperação policial e judicial entre países para trocar provas e informações em processos criminais, facilitando o combate ao crime internacional), Interpol, têm status diplomático e, teoricamente, respeitam a soberania dos países onde atuam. Na prática, o cenário é mais nebuloso.


Ramagem, condenado pelo STF pelos atos de 8 de janeiro, foi detido pelo ICE em Orlando no dia 13 de abril de 2026. A Polícia Federal apresentou o caso como fruto de boa cooperação internacional: monitoramento prévio, troca de informações sobre visto expirado e passaporte cancelado, tudo coordenado pelo oficial de ligação.


Até aí, a narrativa oficial parece limpa. Mas o negócio azedou rápido. Em 20 de abril, o governo americano mandou o delegado Marcelo Ivo de Carvalho, oficial de ligação da PF em Miami, embora do país. A acusação foi direta: ele teria tentado burlar trâmites formais, manipular o sistema migratório e levar uma briga política brasileira para dentro dos Estados Unidos.


O diretor da PF, Andrei Rodrigues, negou que tenha sido uma expulsão e disse que o retorno do delegado já estava previsto. Defendeu que a atuação foi exemplar. Mesmo assim, as versões não batem. Enquanto a PF fala em parceria, os americanos falam em ação unilateral. Como resposta, o Brasil revogou as credenciais de um agente americano em Brasília, num gesto que chamaram de reciprocidade.


Na Itália o roteiro se repete, só que com um detalhe ainda mais simbólico. Em julho de 2025, Carla Zambelli foi presa em Roma numa operação coordenada entre brasileiros e italianos. Um adido da PF ajudou a localizar o endereço e montou o dossiê que levou à prisão.


O problema não foi a captura em si. O problema foi o que aconteceu depois. Relatos dão conta de suposta comemoração dentro da própria embaixada brasileira, com brindes e champanhe em homenagem ao delegado responsável. Se isso for verdade, a coisa saiu do campo da cooperação e entrou no terreno da politização explícita.


Esse padrão reforça denúncias que já circulam há algum tempo sobre o uso de canais informais, grupos paralelos e troca seletiva de informações. A PF nega qualquer irregularidade, mas os indícios vão se acumulando e criando uma percepção de zona cinzenta.


Aqui dentro do país também não faltam sinais de tensão. Na Operação Master, que apura fraudes bilionárias no INSS, o ministro André Mendonça impôs limites claros à Polícia Federal. Determinou que os delegados não compartilhassem informações nem com a própria cúpula da instituição, por medo de vazamentos, e restringiu o acesso da CPMI aos dados sensíveis.


É uma intervenção rara, mas sintomática. Quando o próprio Supremo precisa segurar o fluxo de informação dentro do Estado, o problema já deixou de ser apenas operacional para virar institucional.


No fundo de tudo isso existe uma questão estrutural que quase ninguém discute: a fragilidade da base legal da Polícia Federal. A velha portaria de 1989 que regulava as atribuições foi declarada inválida pela Justiça anos atrás, e até hoje não foi substituída por uma lei em regra. O resultado é um vácuo que gera insegurança jurídica, conflitos internos e concentração de poder.


A Constituição de 88 já previa carreira única para as polícias federais. Quase 40 anos depois, essa regra continua sem regulamentação sólida.


O governo vende essas operações no exterior como prova de eficácia no combate ao golpismo. Os críticos veem um uso político do aparato estatal contra adversários. Os países envolvidos, por sua vez, reagem quando sentem que sua soberania está sendo tensionada.

A soltura rápida de Ramagem, a crise diplomática em Miami, a festa em Roma e a intervenção do ministro do STF na Operação Master formam um quadro preocupante. Não se trata de negar a importância da cooperação internacional contra o crime. Trata-se de saber onde termina a eficiência e começa o abuso.


A Polícia Federal precisa urgentemente de duas coisas, uma base legal clara e a regulamentação efetiva da carreira. Não é favor a ninguém. É condição mínima para a instituição ter previsibilidade, controle e, acima de tudo, legitimidade.


Sem isso, cada operação bem sucedida corre o risco de gerar, ao mesmo tempo, um novo problema interno e diplomático.



 
  • há 4 dias

Quando Jesus ressurgiu do túmulo, a negação e a dúvida imperavam no círculo dos companheiros.

 

Voltaria Ele? perguntavam, perplexos. Quase impossível. Seria Senhor da Vida Eterna quem se entregara na cruz, expirando entre malfeitores?

 

Maria Madalena, porém, a renovada, vai ao sepulcro de manhãzinha. E, maravilhosamente surpreendida, vê o Mestre, ajoelhando-se lhe aos pés. Ouve-lhe a voz repassada de ternura, fixa-lhe o olhar sereno e magnânimo. Entretanto, para que a visão se lhe fizesse mais nítida, foi necessário organizar o quadro exterior. O jardim reacendia perfumes para a sua sensibilidade feminina, a sepultura estava aberta, compelindo-a a, raciocinar. Para que a gravação das imagens se tornasse bem clara, levando-lhe todas as dúvidas da imaginação, Maria julgou a princípio que via o jardineiro. Antes da certeza, a perquirição da mente precedendo a consolidação da fé. Embriagada de júbilo, a convertida de Magdala transmite a

boa-nova aos discípulos confundidos. Os olhos sombrios de quase todos se enchem de novo brilho.

 

Outras mulheres, como Joana de Khouza e Maria, mãe de Tiago, dirigem-se, ansiosas, para, o mesmo local, conduzindo perfumes e preces gratula tórias. Não enxergam o Messias, mas entidades resplandecentes lhes falam do Mestre que partiu.

 

Pedro e João acorrem, pressurosos, e ainda veem a pedra removida, o sepulcro vazio e apalpam os lençóis abandonados.

 

No colégio dos seguidores, travam-se polêmicas discretas.

 

Seria? não seria?

 

Contudo, Jesus, o Amigo Fiel, mostra-se aos aprendizes no caminho de Emaús, que lhe reconhecem a presença ao partir do pão e, depois, aparece aos onze cooperadores, num salão de Jerusalém. As portas permanecem fechadas e, no entanto, o Senhor demora-se, junto deles, plenamente materializado. Os discípulos estão deslumbrados, mas o olhar do Messias é melancólico. Diz-nos João Marcos que o Mestre lançou lhes em rosto a incredulidade e a dureza de coração. Exorta-os a que o vejam, que o apalpem. Tomé chega a consultar-lhe as chagas para adquirir a certeza do que observa. O Celeste Mensageiro faz-se ouvir para todos. E, mais tarde, para que se convençam os companheiros de sua presença e da continuidade de seu amor, segue-os, em espírito, no labor da pesca. Simão Pedro registra-lhe carinhosas recomendações, ao lançar as redes, e encontra-o nas preces solitárias da noite.

 

Em seguida, para que os velhos amigos se certifiquem da ressurreição, materializa-se num monte, aparecendo a quinhentas pessoas da Galileia.

 

No Pentecostes, a fim de que os homens lhe recebam o Evangelho do Reino, organiza fenômenos luminosos e lingüísticos, valendo-se da colaboração dos companheiros, ante judeus e romanos, partos e medas, gregos e elamitas, cretenses e árabes. Maravilha-se o povo. Habitantes da Panfília e da Líbia, do Egito e da Capadócia ouvem a Boa-Nova no idioma que lhes é familiar.

 

Decorrido algum tempo, Jesus resolve modificar o ambiente farisaico e busca Saulo de Tarso para o seu ministério; entretanto, para isso, é compelido a materializar-se no caminho de Damasco, à plena luz do dia. O perseguidor implacável, para convencer-se, precisa experimentar a cegueira temporária, após a claridade sublime; e para que Ananias, o servo leal, dissipe o temor e vá socorrer o ex-verdugo, é imprescindível que Jesus o visite, em pessoa, lembrando-lhe o obséquio fraternal. 

 

Todos os companheiros, aprendizes, seguidores e beneficiários solicitaram a cooperação dos sentidos físicos para sentir a presença do Divino Ressuscitado. Utilizaram-se dos olhos mortais, manejaram o tato, aguçaram os olvidos...

 

Houve, contudo, alguém que dispensou todos os toques e associações mentais, vozes e visões. Foi Maria, sua Divina Mãe. O Filho Bem-Amado vivia eternamente, no infinito mundo de seu coração. Seu olhar contemplava-o, através de todas as estrelas do Céu e encontrava-lhe o hálito perfumado em todas as flores da Terra. A voz d’Êle vibrava em sua alma e para compreender lhe a sobrevivência bastava penetrar o iluminado santuário de si mesma, Seu Filho – seu amor e sua vida – poderia, acaso, morrer? E embora a saudade angustiosa, consagrou-se à fé no reencontro espiritual, no plano divino, sem lágrimas, sem sombras e sem morte!...

 

Homens e mulheres do mundo, que haveis de afrontar, um dia, a esfinge do sepulcro, é possível que estejais esquecidos plenamente, no dia imediato ao de vossa partida, a caminho do Mais Além. Familiares e amigos, chamados ao imediatismo da luta humana, passarão a desconhecer-vos, talvez, por completo. Mas, se tiverdes um coração de mãe pulsando na Terra, regozijar-vos-eis, além da escura fronteira de cinzas, porque aí vivereis amados e felizes para, sempre!


DO LIVRO: LÁZARO REDIVIVO  



 
  • há 4 dias

Mayrion Álvares da Silva

Estoquista

Instagram: @folhadebrumado


Foi preciso perder o seu abraço

Para sentir o frio da solidão,

Foi preciso sentir a sua falta

Para entender como dói uma decepção.

 

Foi preciso vê-la indo embora

Para perceber o quanto eu errei,

Foi preciso dormir com o abandono

Para acordar com o vazio que causei.

 

Foi preciso conviver com o silêncio

Para suportar minhas horas de dor,

Foi preciso presenciar o seu recomeço

Para entender que menosprezei o amor.

 

Foi preciso engolir o meu orgulho

Para aliviar as angústias em meu peito,

Foi preciso perder um grande amor

Para descobrir o significado do respeito.

 

Foi preciso perdê-la para sempre

Para ser apresentado a maturidade,

Foi preciso sentir o gosto da derrota

Para entender o valor da felicidade.



 
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