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Por SIMONE SALLES    

JORNALISTA, MESTRE EM COMUNICAÇÃO PÚBLICA E POLÍTICA  


A IDEIA É ATENDER BEM IDOSOS QUE BUSCAM COMPANHIA, AUTONOMIA E SEGURANÇA


O Brasil está envelhecendo rapidamente. Dados do Censo Demográfico 2022, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que o país possui 32,1 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, o equivalente a 15,6% da população brasileira. Já os brasileiros com 65 anos ou mais somam 22,2 milhões, representando 10,9% da população, um crescimento de 57,4% em apenas 12 anos em relação ao censo de 2010. As projeções oficiais indicam que o envelhecimento continuará acelerado nas próximas décadas, o que impulsiona uma série de serviços voltados ao conforto dos idosos.

 

Esse novo perfil da população também cria novas necessidades. Muitos são independentes, dirigem, praticam atividades físicas, frequentam igrejas, fazem compras, viajam e utilizam serviços de saúde regularmente. O que eles procuram nem sempre é um cuidador em tempo integral, mas alguém de confiança para acompanhá-los em tarefas específicas do dia a dia.

 

É nesse contexto que cresce o serviço conhecido como "filhos ou netos de aluguel", uma modalidade de acompanhamento personalizada voltada principalmente para idosos ativos que valorizam sua autonomia, mas reconhecem que algumas situações exigem apoio. Nem todos de idade avançada podem contar com a família sempre que precisam. Ter alternativas significa ter menos limites ao que desejam realizar no momento.

 

Ao contrário do que muitos imaginam, um motorista de aplicativo ou um táxi resolve apenas parte da necessidade. Em diversas ocasiões, o idoso precisa de alguém que o acompanhe durante toda a atividade, por se sentir inseguro ao descer do carro, especialmente em cidades grandes e movimentadas.

 

Um exemplo comum é uma consulta médica ou odontológica. Não basta apenas levá-lo e deixá-lo na porta do prédio do consultório. Muitas vezes é importante que alguém espere durante o atendimento, ajude com documentos, acompanhe orientações médicas e garanta um retorno tranquilo para casa.

 

O mesmo acontece em compromissos cotidianos, como ir ao cabeleireiro, fazer pequenas compras em supermercados ou farmácias, passear em um shopping ou participar de atividades religiosas. O diferencial do acompanhante é oferecer presença, auxílio quando necessário e garantir que o idoso chegue em seu lar com segurança ao final do passeio.

 

Outro serviço cada vez mais solicitado envolve a consultoria de tecnologia. O número de idosos conectados cresce ano após ano, mas muitos ainda enfrentam dificuldades para utilizar todas as funções do celular. Aprender a fazer uma chamada de vídeo, mandar mensagens, utilizar aplicativos de bancos com segurança, acessar serviços públicos digitais, pedir um transporte por aplicativo, organizar fotos, usar redes sociais ou identificar possíveis golpes virtuais são demandas frequentes. Em muitos casos, o que o idoso precisa não é de um técnico em informática, mas de alguém paciente, que o ensine passo a passo e respeite seu ritmo de aprendizagem.

 

Especialistas em envelhecimento apontam que manter a autonomia é um dos fatores mais importantes para a qualidade de vida na terceira idade. Por isso, muitos idosos rejeitam a ideia de ter um cuidador dentro de casa durante todo o dia quando ainda conseguem realizar suas atividades sozinhos. Além da questão financeira, existe um aspecto emocional importante: preservar sua privacidade. Muitos desejam apenas apoio pontual, sem abrir mão da independência e da rotina construída ao longo da vida.

 

Cresce a oferta de manicure, pedicure, podologia e cabeleireiro em domicílio, além de entrega de refeições prontas e balanceadas, fisioterapia, personal trainer para a terceira idade, pequenos reparos residenciais, lavanderia, limpeza, passeadores de pets. Esse movimento faz parte da chamada economia da longevidade, segmento que já movimenta cerca de R$1,6 trilhão por ano no Brasil, segundo levantamento do Sebrae. A entidade destaca que o aumento da população com mais de 60 anos vem estimulando a criação de novos negócios voltados à qualidade de vida, praticidade e bem-estar desse público, que busca soluções personalizadas para manter a independência e continuar ativo por mais tempo.

 

Dona Maria, 86 anos, moradora do Rio de Janeiro, explica que já teve cuidadoras, mas que enquanto estiver lúcida prefere recorrer a essas pessoas voltadas para serviços específicos da terceira idade. “Antes eu ficava o dia todo com a cuidadora, tinha até uma campainha que eu tocava se precisasse de algo e nem saía da cama. Parecia cômodo, agora vejo que estava me deixando mais deprimida e desanimada para fazer as coisas que antes eu gostava, como preparar meu cafezinho”.

 

As reclamações mais comuns de idosos que contam com cuidadores em tempo integral aparecem com frequência em pesquisas sobre envelhecimento, em relatos de profissionais da área de geriatria e em estudos sobre cuidado domiciliar. Nem todos compartilham essas percepções, mas algumas queixas recorrentes são:


- Falta de privacidade: muitos sentem desconforto por ter uma pessoa dentro de casa durante todo o dia;


- Perda de autonomia: reclamam que o cuidador faz tarefas que eles ainda conseguem realizar sozinhos, gerando sensação de dependência desnecessária;


- Sensação de vigilância constante: alguns idosos dizem sentir que estão sendo observados o tempo todo, o que pode limitar sua liberdade e criatividade;


- Mudança na rotina da casa: a presença permanente de um profissional altera hábitos, horários e até a dinâmica familiar;


- Falta de afinidade pessoal: mesmo quando o cuidador é competente, pode não haver sintonia de personalidade, interesses ou forma de comunicação;


- Pouca flexibilidade: cuidadores contratados para funções específicas nem sempre realizam certas atividades além das previstas no contrato;


- Rotatividade de profissionais: trocas frequentes dificultam a criação de vínculo e confiança;


- Custo elevado: o atendimento 24 horas geralmente exige mais de um profissional em escalas, tornando-se uma modalidade de alto custo para muitas famílias;


- Falta de companhia além do cuidado: alguns idosos relatam que por terem cuidador deixam de procurar outros idosos para conversas, lazer e atividades de convivência.

 

Casos de abuso de confiança envolvendo cuidadores também aparecem ocasionalmente no noticiário policial, e  alertam sobre a importância de verificar referências, antecedentes e a idoneidade de qualquer profissional contratado para atuar junto a pessoas idosas. Em 2024, a Polícia Civil de São Paulo desarticulou um esquema em que um falso cuidador dopava idosos para roubar suas residências. Esses episódios são exceções e não devem ser usados para generalizar sobre a profissão, que é exercida de forma ética pela grande maioria dos profissionais.

 

O serviço de "filhos ou netos de aluguel" surge como uma alternativa intermediária entre a total independência e o cuidado permanente. O acompanhante pode ser acionado apenas quando necessário, quando o parente ou amigo mais próximo não estiver disponível, seja para consultas médicas, idas à academia, igreja, compras ou simplesmente para oferecer companhia em um momento específico.

 

O desafio é oferecer atendimento humanizado, respeitando a autonomia de quem envelhece e proporcionar segurança, acolhimento e qualidade de vida sem substituir a independência que tantos desejam preservar.



 
  • há 21 horas

"Na vossa paciência, possuí as nossas almas". - Jesus (Lucas, 21:19)


Afinal de contas, ter paciência não será sorrir para as maldades humanas, nem coonestar suas atividades indignas sobre a face do mundo.


Concordar alguém com todos os males da senda terrestre, a pretexto de revelar essa virtude, seria um contrassenso absurdo. 


Ter paciência, então, será resistir aos impulsos inferiores que nos cerquem na estrada evolutiva, conduzindo todo o bem que nos seja possível aos seres e coisas que se achem diante de nós, como a representação desses mesmos Impulsos.


Jesus foi o modelo da paciência   suprema e resistiu a nossa inferioridade, amando-nos. Não se nivelou com as nossas fraquezas, mas valeu-se de todas as ocasiões para nos melhorar e conduzir ao bem. Sua misericórdia tomou os nossos pecados e transformou cada um em profunda lição para a reforma de nós mesmos. Não aplaudiu as nossas misérias, nem sorriu para os nossos erros, mas compreendeu-nos as deficiências e amparou-nos.


Embora tudo isso, resistiu-nos sempre, dentro de seu amor, até a cruz do martírio. A paciência do Cristo é um livro aberto para todos os corações inclinados ao bem e à verdade.


Somente pela sincera resistência ao mal, com a disposição fiel de transformá-lo no bem, conseguireis possuir as vossas almas.


Ao contrário disso, ainda que vos sintais autônomos e fortes, vós mesmos e que sereis possuídos por tendências indignas ou sentimentos inferiores. 


Portanto, justo é que busqueis saber, hoje mesmo, se já possuis os vossos corações ou se estais ocupados pelas forças estranhas ao vosso título de filho de Deus.


REFLETINDO A MENSAGEM:


Emmanuel nos convida a compreender que a verdadeira paciência não é passividade diante do mal, mas força moral para resistir a ele sem perder o amor.

Jesus não aprovou o erro, tampouco se deixou contaminar pela violência, pela ingratidão ou pela incompreensão humana. Em vez disso, respondeu a cada desafio com misericórdia, ensinando que o bem é sempre a melhor resposta ao mal. Sua paciência foi ativa: corrigiu sem humilhar, amou sem conivência e perseverou até a cruz, oferecendo-nos o exemplo máximo de fidelidade ao Pai.


"Possuir a própria alma" significa governar pensamentos, emoções e atitudes à luz do Evangelho. Esse domínio não se conquista pela força, mas pela renovação diária, pela oração, pela vigilância e pelo esforço constante de transformar o mal em oportunidade de crescimento.


Ao final, fica uma pergunta para nossa consciência: quem governa o meu coração? O Cristo, com Seu amor e Sua paz, ou as paixões e impulsos que ainda precisam ser educados?


A resposta sincera a essa pergunta indica o caminho que ainda temos a percorrer como verdadeiros filhos de Deus.


Livro: Segue-me

Autor Espiritual: Emmanuel

Médium: Chico Xavier

Capítulo: Filhos de Deus


💭 Comunidade no WhatsApp

Para quem desejar convidar um coração querido(a) para caminhar conosco nesta jornada de fé e reflexão:



Núcleo Espírita Maria Mãe de Jesus

Instagram: @mariamaedejesusne

YouTube: @mariamaedejesusne

Rua Joana Angélica, 123 Centro - Brumado - Bahia



 

POR: MARCELO BRASILEIRO - CIDADÃO

Militar da reserva das forças armadas - Advogado com especialização em direito Marítimo, Direito Ambiental

Pós graduado pela Escola da Magistratura do Estado do Espírito Santo


Não pretendendo aqui esgotar a assunto, mas, de certo modo, iniciando a proposta de estudo e discussão acerca do tema "democracia", convidamos nossos leitores à absorção das seguintes informações e ponderação quanto às pertinentes considerações.

 

Em primeiro lugar, quadra esclarecer que a palavra democracia encontra sua origem semântica em duas palavras com radical grego; dêmos e kratos. quais sejam, povo e poder.

 

Demokratia!

 

Ancestral conjugação que posteriormente seria resumida no ano de 1863, pelo presidente norte-americano Abraham Lincoln como "um governo do povo, pelo povo e para o povo".

 

O poder do povo!

 

Mas, espere ai!

 

Voltemos à Grécia antiga - berço da Democracia e da Civilização Ocidental.

 

Até o século VI, a.C. o vigente sistema de governo na Grécia era a aristocracia; o governo feito pelos melhores e mais bem preparados cidadãos.

 

Homens livres, instruídos, proprietários de terras e tão assim como na futura República romana, chefes de famílias abastadas e detentoras de um histórico de proeminência (dominação) face à coletividade.

 

Ainda por volta do aludido período, em função da ascensão de outras classes sociais, como por exemplo, a dos comerciantes, teve início uma série de revoltas populares lideradas por Clistenes (considerado o pai da democracia), quando, concebida e posta a efeito pela própria aristocracia dominante, a democracia foi estabelecida como sistema de governo na cidade-estado de Atenas ainda em finais do século VI, A.C.

 

Sistema esse que seria então consolidado por Péricles, no século V a.C.

 

Mas... como era a democracia grega?

 

Era um sistema de governo (ou de tomada de decisões) no qual os cidadãos (os homens livres) se reuniam em um espaço público denominado de Ágora (uma espécie de praça), onde as questões comuns eram explicitadas, discutidas e decididas pelo voto da maioria dos presentes. Dos cidadãos de Atenas.

 

Mas quem eram os cidadãos atenienses?

 

Eram os homens livres, e, via de regra, homens de posses e com notória reputação social.

 

Mulheres, estrangeiros (os metecos) e os escravizados não tinham vez na Ágora. Eram os excluídos de todos os assuntos afetos e deixados de fora de toda e qualquer liturgia democrática.

 

Mas... como assim?

 

Como pode a democracia excluir pessoas (humanas pessoas)?

 

Sim, a democracia não nasceu como uma conquista; ela veio como concessão da aristocracia como forma de pacificar os conflitos sociais acaso existentes e, como visto, era sim exclusivista.

 

Era uma democracia direta onde cada homem livre tinha direito a um voto e esse voto a outros somado, decidia as questões que afetavam os interesses dos iguais. Lembrando que mulheres, estrangeiros e escravos não eram considerados "iguais".

 

Em outras palavras, um governo de iguais, feito por iguais; só que esses iguais eram exclusivamente bem mais iguais que os outros.

 

Uns mais iguais que outros!

 

Atenas tinha cerca de trezentos mil habitantes e, desses, apenas trinta mil (dez por cento da população) era de homens livres (cidadãos).

 

Assim, a democracia grega nasce em Atenas, surge como solução dada pela aristocracia grega como forma de pacificar conflitos entre classes sociais e impõe uma aclarada estratificação social onde o homem livre (e rico) faz de conta que decide, onde as mulheres não contam, os estrangeiros são apenas tolerados (enquanto úteis) e os escravos continuam sendo aquilo que sempre foram: escravos.

 

Que bela (e brilhante) arapuca social!

 

Para isso a democracia - em sua forma direta ou indireta, foi concebida e colocada à serviço daqueles que realmente decidem o presente e o futuro das pessoas.

 

Às vezes, quem manda na democracia decide até o passado das pessoas (...)

 

A democracia é sim uma arapuca social e a quase totalidade das presas não sabem ou não se dão conta que caíram e caem (todos os dias) sorrindo e cantando dentro da terrível armadilha.

 

E assim - como mito, fabula e engodo, nasceu a tal democracia grega tão admirada através dos séculos seguintes e que foi sendo aperfeiçoada nesse interregno, porém sem jamais perder sua verdadeira essência como mito, como fábula e como engodo às classes mais baixas do tecido social.  

 

Nada melhor fazer ao outro crer que "ele manda" em alguma coisa, enquanto em verdade em nada manda (ou decide).

 

Oportunamente, iremos tratar da democracia indireta (representativa) nos próximos comentários.


Também nos artigos seguintes iremos abordar a questão do aperfeiçoamento da democracia na civilização Ocidental Judaico-Cristã e de como ela nos chega aos tempos atuais como uma doce ilusão e de como em seu nome são hoje praticados e justificados - especialmente no Brasil, todos os mais horrendos atos de selvageria humana e de barbárie institucional, inclusive.



 
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